Por Heber Lopes, Head de Produtos e Marketing da Faiston – Foto: Divulgação
Até pouco tempo atrás, internet via satélite era o último recurso no plano de TI de qualquer empresa, aquela linha no orçamento que ninguém esperava precisar acionar.
O cenário mudou, e esse tipo de tecnologia entrou na estratégia de conectividade de empresas brasileiras por três razões que não têm nada de futuristas: custa menos conectar pontos dispersos pelo território, permite expandir a operação para onde a fibra não chega e mantém os sistemas no ar quando o link terrestre falha.
O satélite deixou de ser plano de contingência e virou elemento fundamental da infraestrutura de rede.
De fato, o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) da Anatel aponta que mais de 1.200 municípios ainda não possuem backhaul de fibra óptica. Dados do setor mostram que apenas 14% das áreas não urbanas contam com cobertura 4G, e o Indicador de Conectividade Rural (ICR) da ConectarAGRO revela que cerca de 67% da área cultivada no país permanece sem conexão.
Para uma empresa que precisa operar nessas regiões, estender fibra óptica até o ponto de operação pode custar centenas de milhares de reais e levar meses.
Um kit para conexão satelital corporativo, em comparação, entra em operação em minutos e transforma o custo de infraestrutura fixa em despesa operacional previsível, sem obras, sem contratos com operadoras locais e sem prazo de instalação que atrasa o início das atividades.
A redução de custos marginais é, talvez, o argumento mais objetivo na decisão corporativa. Cada nova filial, canteiro de obra, ponto de venda ou base operacional que uma empresa precisa conectar representa, no modelo tradicional, um projeto de engenharia com escavação, passagem de cabos, equipamentos de rede e contratos com operadoras locais.
Com a internet via satélite LEO, o custo de conectar o décimo ponto é praticamente o mesmo de conectar o primeiro. Isso muda a equação de expansão de negócios de forma concreta: a empresa deixa de tratar conectividade como gargalo e passa a encará-la como commodity disponível em qualquer coordenada geográfica.
Para setores como varejo, agronegócio e logística, nos quais a capilaridade da operação é diretamente proporcional à receita, essa mudança tem impacto direto no planejamento de crescimento.
Um centro de distribuição temporário que antes exigia semanas de negociação com provedores locais agora pode estar online no mesmo dia em que o primeiro caminhão chega ao terreno.
A expansão geográfica habilitada pela rede LEO atende a uma demanda que o Brasil, por suas dimensões continentais, enfrenta de forma mais aguda do que a maior parte dos mercados globais.
Agronegócio, mineração, energia, óleo e gás e logística são setores que, por natureza, operam longe dos centros urbanos.
Além disso, a alta disponibilidade é o que mais tem crescido entre empresas que já possuem infraestrutura terrestre consolidada. A fibra óptica rompe por obras, enchentes e falhas elétricas; redes celulares congestionam ou caem em eventos climáticos; e cada minuto de indisponibilidade custa dinheiro e credibilidade.
O mercado de conectividade via satélite no Brasil, aliás, tende a se tornar mais competitivo.
A Anatel autorizou a ampliação da constelação Starlink para quase 12 mil satélites em órbita sobre o território nacional e aprovou projetos-piloto de sandbox regulatório para tecnologias direct-to-device, que no futuro permitirão que dispositivos móveis se conectem diretamente a satélites sem antena externa.
Concorrentes internacionais já se movimentam: uma empresa chinesa de satélites LEO firmou acordo com a Telebras para iniciar operações no país, o que deve ampliar a oferta e pressionar custos.
Um estudo da Oxford Economics estima que a banda larga por satélite LEO pode gerar até R$ 51 bilhões em atividade econômica e sustentar quase 370 mil empregos no Brasil até 2035.
Para as empresas, mais concorrência significa mais poder de negociação e, potencialmente, custos ainda menores de conectividade.
O desafio da integração
Incorporar a conectividade satelital à infraestrutura corporativa, no entanto, não se resume a instalar uma antena no telhado. Integrar o link satelital à rede da empresa exige planejamento de arquitetura, configuração de políticas de failover, gestão de segurança de dados em trânsito e uma visão que trate a conectividade como parte de um ecossistema mais amplo de TI. É nesse ponto que parceiros de serviços gerenciados fazem diferença.
Empresas especializadas em infraestrutura e conectividade possuem a expertise para desenhar soluções que combinem satélite, fibra e rede celular de forma coerente, garantindo que cada tecnologia ocupe o papel em que é mais eficiente. O desafio técnico não está no satélite em si, mas na capacidade de orquestrar todas as camadas de conectividade de modo que a operação funcione de forma transparente para o negócio.
A entrada da internet via satélite na conta corporativa das empresas brasileiras não é uma aposta em tecnologia de fronteira. É uma decisão de gestão fundamentada em três indicadores concretos: quanto custa conectar cada novo ponto de operação, até onde a empresa consegue levar sua presença geográfica e qual é o nível de disponibilidade que ela pode garantir aos seus sistemas.
Sobre a Faiston
Fundada em 2001, e com um novo posicionamento de mercado desde 2021, a Faiston é uma integradora de serviços e soluções de Inteligência Artificial 100% nacional.
Com sede em São Paulo, a empresa conta com mais de 300 funcionários e 5.500 parceiros de tecnologia em todo o Brasil.
Para saber mais, acesse: https://faiston.com
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Emilia Bertolli
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