Renato Gomes promete “revolução” contra a corrupção em Mato Grosso do Sul

Em convenção do DC, candidato criticou impostos e impunidade, apresentou Flávia Argemiro como vice e confirmou Luiz Lemes ao Senado

02/08/2026 Materialde referência geográfica 13:30 DA REDAÇÃO – Foto: ©DIVULGAÇÃO

O economista Renato Gomes foi oficializado candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo Democracia Cristã (DC) durante convenção realizada neste domingo, 2 de agosto, no Hotel Plaza Belmar, em Campo Grande. Em um discurso marcado por referências religiosas, ele prometeu combater a corrupção e romper com o atual modelo político do Estado.

Convertido recentemente ao catolicismo, Renato pediu a proteção de Nossa Senhora Aparecida e de São Carlo Acutis antes de apresentar suas propostas. O candidato afirmou que a população não pode mais esperar por mudanças e defendeu punições mais rigorosas para envolvidos em desvios de recursos públicos.

“Vamos fazer a verdadeira revolução como nunca houve em Mato Grosso do Sul”, declarou.

Política

O pastor e radialista Adilson Oliveira, da Igreja Internacional Rei dos Reis, também participou da convenção e conduziu uma oração. “Nós não venceremos sem o nosso general maior, que é Cristo”, afirmou o religioso.

Operações contra a corrupção

Durante o discurso, Renato Gomes mencionou as operações Gutenberg e Buraco Sem Fim como exemplos de investigações recentes envolvendo contratos públicos e agentes da administração.

Deflagrada pelo Gaeco, a Operação Gutenberg apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, os contratos investigados ultrapassam R$ 27 milhões.

A Operação Buraco Sem Fim, por sua vez, investiga possíveis irregularidades em contratos de manutenção das ruas de Campo Grande que somam mais de R$ 113 milhões. As apurações continuam e os investigados mantêm o direito de defesa.

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O candidato também citou o bloqueio de aproximadamente R$ 277,5 milhões relacionado ao ex-governador e candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL) e ao filho dele, Rodrigo Souza e Silva, no contexto da Operação Vostok.

A ação penal contra o ex-governador foi encerrada após decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Em outro desdobramento judicial, o Superior Tribunal de Justiça manteve, em junho de 2026, o sequestro patrimonial determinado durante as investigações. A defesa de Azambuja contesta as acusações.

Impostos e empregos

Ao tratar da economia, Renato Gomes criticou o peso dos tributos sobre a energia elétrica, os combustíveis e os produtos da cesta básica. Ele também questionou a atuação da concessionária Energisa e da bancada federal do Estado.

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No discurso, o candidato afirmou que o imposto sobre a gasolina corresponderia a 28%. Desde 1º de janeiro de 2026, no entanto, o ICMS da gasolina é cobrado pelo valor fixo de R$ 1,57 por litro em todos os estados e no Distrito Federal, conforme o Convênio ICMS 15/2023, atualizado pelo Confaz.

Renato também declarou que existem cerca de 5 mil vagas de trabalho abertas no Estado e associou a dificuldade de contratação aos baixos salários. O candidato defendeu políticas capazes de atrair empresas, elevar a remuneração e ampliar a oferta de empregos qualificados.

“Ninguém quer trabalhar ganhando um salário mínimo”, afirmou.

Fora da polarização

O candidato disse que pretende construir uma campanha sem se limitar à divisão entre esquerda e direita. Apesar de declarar que o projeto estadual não será baseado na polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Gomes deverá apoiar a candidatura presidencial de Renan Santos, do Missão.

Dirigentes do DC acreditam que a candidatura pode ocupar o espaço de terceira via em Mato Grosso do Sul. O partido chegou a conversar com o Novo sobre uma possível aliança, mas a negociação não avançou porque nenhuma das legendas aceitou abrir mão da cabeça de chapa.

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Chapa terá psicóloga como vice

O presidente estadual do DC, Edilson Vieira, anunciou a psicóloga Flávia Argemiro de Almeida e Silva, de Dourados, como candidata a vice-governadora. Ela é formada em Psicologia e Gestão de Recursos Humanos e trabalha no Hospital da Vida.

Para o Senado, o partido confirmou o engenheiro civil e produtor rural Luiz Lemes, de Campo Grande, que atua em Sidrolândia. O primeiro suplente será Roberto Patziaff, enquanto a segunda suplência ficará com Aldeci Teixeira dos Santos, presidente da Associação de Moradores de Capão Seco.

Renato Gomes é o quinto candidato ao Governo homologado em convenção. Também estão confirmados Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT), Lucien Rezende (PSOL) e Jeferson Bezerra (Agir). O Novo deverá oficializar o deputado estadual João Henrique Catan na quarta-feira, 5 de agosto.

Jornal do Estado MS

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