A construção da sustentabilidade na silvicultura

Por Izabela Duarte

O mês do Meio Ambiente é um convite à reflexão sobre como produzir e conservar ao mesmo tempo, um desafio cada vez mais presente no setor florestal brasileiro.

No campo, essa equação se traduz na busca por equilibrar produtividade, conservação ambiental e relação com as comunidades. Mais do que práticas isoladas, trata-se de uma forma de conduzir o negócio em que crescimento econômico e cuidado com os recursos naturais caminham juntos.

Na região leste de Mato Grosso do Sul, parte das áreas florestais foi implantada sobre antigas pastagens com diferentes níveis de degradação.

Nesse contexto, o desafio vai além da substituição de uso da terra: envolve recuperar a capacidade produtiva desses ambientes por meio de técnicas de manejo, conservação do solo e planejamento de longo prazo.

O manejo florestal exige também o entendimento de que cada área possui características próprias. Por isso, práticas como cultivo mínimo, conservação do solo e adaptação das operações às condições locais são continuamente aprimoradas para garantir produtividade com responsabilidade ambiental.

Por trás desses avanços, há um trabalho contínuo de pesquisa e desenvolvimento, voltado à busca de soluções práticas para aumentar a eficiência e reduzir impactos. Entre elas estão o uso de controle biológico para manejo de pragas, o aprimoramento genético e a evolução de técnicas que tornam a produção mais sustentável.

A sustentabilidade também depende da recuperação e proteção dos ecossistemas existentes. Programas permanentes de prevenção e combate a incêndios florestais, além do monitoramento patrimonial e ambiental ajudam a proteger áreas nativas contra ameaças como caça ilegal, supressão irregular de vegetação e outras práticas que colocam em risco a biodiversidade regional.

Outro aspecto importante é o compromisso com o desmatamento zero, mantendo monitoramento contínuo do uso e ocupação do solo nas áreas sob gestão.

A expansão da produção ocorre sobre áreas previamente antropizadas, conciliando desenvolvimento econômico com conservação ambiental. Esse conjunto de ações de conservação e manejo responsável também reflete nos resultados observados para a biodiversidade.

Dados recentes reforçam esse cenário. Em 2025, estudos de monitoramento da biodiversidade registraram mais de 240 espécies de plantas nativas.

Também foram identificadas 245 espécies de aves, representando aproximadamente 36% de toda a avifauna conhecida de Mato Grosso do Sul e 52% das espécies registradas na Bacia do Alto Rio Paraná. Entre elas, destaca-se a presença da águia-cinzenta, espécie de elevada relevância para a conservação da biodiversidade.

A fauna terrestre também demonstra a relevância ambiental dessas paisagens integradas: foram registradas 29 espécies de mamíferos, incluindo o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o cervo-do-pantanal e a onça-pintada – uma das espécies mais emblemáticas da fauna brasileira.

Mas a construção de um negócio sustentável não acontece apenas no campo ou nos laboratórios, passa também pelas pessoas.

Desta mesma forma, o relacionamento transparente com as comunidades locais, o diálogo permanente com lideranças e moradores da região e os projetos sociais voltados a diferentes temas, incluindo a Educação Ambiental, ampliam os benefícios da atividade florestal ultrapassando os limites das propriedades.

Esse compromisso se traduz em ações práticas desenvolvidas ao longo de todo o ano. Durante o mês de junho, há exemplos práticos e palpáveis em MS, de atuação de agentes a fim de fortalecer iniciativas junto às escolas da região, promovendo palestras, oficinas e atividades educativas que contribuem para a formação de uma consciência ambiental entre crianças e jovens.

Diante desse cenário, fica claro que a sustentabilidade não é resultado de uma única ação, departamento ou iniciativa isolada. Ela é construída diariamente pela integração entre pesquisa, operações, conservação ambiental, proteção florestal, inovação, desenvolvimento social e relacionamento com as comunidades.

É essa integração que transforma as florestas cultivadas em uma ferramenta de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar valor para as pessoas, fortalecer a economia e contribuir para a conservação do meio ambiente.

Izabela Duarte, engenheira florestal e coordenadora de Meio Ambiente da MS Florestal.

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