{"id":3836,"date":"2026-06-18T17:14:17","date_gmt":"2026-06-18T20:14:17","guid":{"rendered":"https:\/\/diadianews.com\/index.php\/2026\/06\/18\/muito-alem-do-clima-perdas-pos-colheita-custam-milhoes-e-desafiam-rentabilidade-do-agronegocio\/"},"modified":"2026-06-18T17:14:17","modified_gmt":"2026-06-18T20:14:17","slug":"muito-alem-do-clima-perdas-pos-colheita-custam-milhoes-e-desafiam-rentabilidade-do-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/2026\/06\/18\/muito-alem-do-clima-perdas-pos-colheita-custam-milhoes-e-desafiam-rentabilidade-do-agronegocio\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m do clima: perdas p\u00f3s-colheita custam milh\u00f5es e desafiam rentabilidade do agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"179\" height=\"100\" src=\"https:\/\/jornaldiadia.com.br\/wp-content\/uploads\/image-8768.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-75962\"><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Anderson Ozawa*<\/em><\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Divulga\u00e7\u00e3o<\/em> \u2014 Anderson Ozawa, CEO da AOzawa Consultoria<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se fala em perdas no agroneg\u00f3cio, o debate costuma seguir um caminho quase autom\u00e1tico: clima, pragas, produtividade, custo dos insumos, oscila\u00e7\u00e3o cambial e varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os das commodities. S\u00e3o fatores relevantes, evidentemente, e exercem influ\u00eancia direta sobre o resultado do produtor e das empresas do setor. No entanto, existe uma parcela significativa das perdas que raramente ocupa o centro das discuss\u00f5es e que, em muitos casos, compromete a rentabilidade tanto quanto os desafios enfrentados dentro da lavoura.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), aproximadamente 14% dos alimentos produzidos no mundo s\u00e3o perdidos entre a colheita e o varejo, antes mesmo de chegarem ao consumidor. Em algumas cadeias produtivas, especialmente quando h\u00e1 fragilidade log\u00edstica, armazenagem inadequada ou baixa previsibilidade operacional, as perdas p\u00f3s-colheita podem ultrapassar 10% da produ\u00e7\u00e3o. Esses n\u00fameros mostram que o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas em produzir mais, mas em preservar melhor aquilo que j\u00e1 foi produzido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O agroneg\u00f3cio aprendeu a produzir em escala mundial e assim, o pa\u00eds investiu em tecnologia, gen\u00e9tica, mecaniza\u00e7\u00e3o, pesquisa, irriga\u00e7\u00e3o, defensivos, manejo e produtividade. Esse avan\u00e7o foi decisivo para consolidar o Brasil como uma das grandes pot\u00eancias globais do agro mas, a pr\u00f3xima fronteira de competitividade n\u00e3o estar\u00e1 apenas na capacidade produtiva e sim, estar\u00e1 na de transformar produ\u00e7\u00e3o em resultado econ\u00f4mico com mais efici\u00eancia, controle e governan\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, a principal preocupa\u00e7\u00e3o esteve concentrada da porteira para dentro. Hoje, uma parcela crescente da rentabilidade \u00e9 definida depois dela, onde log\u00edstica, armazenagem, transporte, classifica\u00e7\u00e3o, pesagem, rastreabilidade, gest\u00e3o de estoque, contratos, controles operacionais e indicadores de desempenho passaram a exercer influ\u00eancia direta sobre a margem das opera\u00e7\u00f5es. \u00c9 nesse trecho da cadeia, muitas vezes tratado como consequ\u00eancia natural da produ\u00e7\u00e3o, que uma parte importante do dinheiro se perde sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma safra pode ser tecnicamente bem-sucedida e financeiramente frustrante. Isso acontece quando a opera\u00e7\u00e3o produz bem, mas perde efici\u00eancia no caminho entre o campo, o armaz\u00e9m, o transporte, a ind\u00fastria, a distribui\u00e7\u00e3o ou o ponto de venda. Em outras palavras, o problema n\u00e3o est\u00e1 necessariamente na produ\u00e7\u00e3o, mas na inefici\u00eancia de proteger valor ao longo da cadeia. Produzir muito e gerir mal depois da porteira \u00e9 uma forma sofisticada de perder dinheiro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O risco p\u00f3s-porteira \u00e9 menos vis\u00edvel, mas n\u00e3o menos relevante. Ele aparece em gr\u00e3os armazenados de forma inadequada, em perdas por umidade, em deteriora\u00e7\u00e3o de produtos perec\u00edveis, em falhas de transporte, em diverg\u00eancias de pesagem, em rupturas de informa\u00e7\u00e3o, em contratos mal monitorados, em processos manuais e em decis\u00f5es tomadas sem dados confi\u00e1veis. Separadamente, cada uma dessas falhas pode parecer pequena. Somadas, podem representar milh\u00f5es de reais ao final de uma safra ou de um ciclo operacional.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O maior problema \u00e9 que essas perdas n\u00e3o costumam gerar a mesma urg\u00eancia que uma quebra de safra: uma estiagem mobiliza todos, uma praga mobiliza todos, uma queda brusca de pre\u00e7o mobiliza todos. J\u00e1 uma perda operacional recorrente, dilu\u00edda no processo, muitas vezes \u00e9 absorvida como \u201cparte do neg\u00f3cio\u201d. Esse \u00e9 o ponto mais perigoso: quando a inefici\u00eancia vira rotina, ela deixa de ser questionada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No agroneg\u00f3cio, essa discuss\u00e3o precisa ganhar mais for\u00e7a, especialmente no p\u00f3s-porteira e n\u00e3o como um tema secund\u00e1rio: mas como uma agenda estrat\u00e9gica de rentabilidade. A l\u00f3gica \u00e9 simples: cada quilo perdido, cada tonelada mal armazenada, cada erro de processo e cada desvio n\u00e3o identificado representam valor econ\u00f4mico que j\u00e1 foi produzido, mas n\u00e3o foi capturado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo ilustra bem essa realidade: em uma opera\u00e7\u00e3o que movimenta 100 mil toneladas de gr\u00e3os por ano, uma perda operacional de apenas 0,5% pode parecer pequena \u00e0 primeira vista. No entanto, isso representa 500 toneladas. Dependendo da <em>commodity<\/em> e do pre\u00e7o de mercado, o impacto financeiro pode ser extremamente relevante. E o mais grave \u00e9 que essa perda dificilmente tem uma causa \u00fanica porque ela surge da soma de pequenas falhas: armazenagem, movimenta\u00e7\u00e3o, classifica\u00e7\u00e3o, controle, transporte e governan\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O agroneg\u00f3cio precisa olhar para efici\u00eancia com a mesma seriedade com que olha para produtividade: a produtividade mostra quanto se produz. A efici\u00eancia mostra quanto dessa produ\u00e7\u00e3o se transforma em resultado. S\u00e3o dimens\u00f5es diferentes, mas complementares. Um setor como o agro, que j\u00e1 avan\u00e7ou tanto em ci\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o agora precisa avan\u00e7ar com a mesma intensidade em governan\u00e7a operacional, controle de perdas e gest\u00e3o de valor.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa agenda n\u00e3o diminui a import\u00e2ncia do produtor, da lavoura ou da tecnologia agr\u00edcola. Ao contr\u00e1rio, valoriza ainda mais o que foi produzido. Cada hectare cultivado, cada investimento em insumo, cada decis\u00e3o t\u00e9cnica no campo precisa ser protegida depois da colheita. N\u00e3o faz sentido investir tanto para produzir melhor e aceitar perdas relevantes por falhas de armazenagem, log\u00edstica ou controle. A vis\u00e3o de governan\u00e7a deve ser em toda a cadeia de abastecimento e valor, no ciclo de vida do produto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rentabilidade do agro depender\u00e1 cada vez mais da capacidade de integrar produ\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e efici\u00eancia. O produtor e as empresas que conseguirem enxergar a cadeia completa ter\u00e3o vantagem competitiva e, n\u00e3o apenas porque produzir\u00e3o bem, mas porque perder\u00e3o menos depois de produzir. Em um mercado pressionado por custos, clima, cr\u00e9dito, log\u00edstica e volatilidade, reduzir perdas p\u00f3s-porteira pode ser t\u00e3o estrat\u00e9gico quanto aumentar produtividade no campo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O futuro do agroneg\u00f3cio n\u00e3o ser\u00e1 definido apenas por quem planta mais, colhe mais ou exporta mais. Ser\u00e1 definido tamb\u00e9m por quem controla melhor, mede melhor, armazena melhor, transporta melhor e decide melhor. A diferen\u00e7a entre lucro e perda estar\u00e1 cada vez mais nos detalhes operacionais que muitos ainda tratam como invis\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim, perdas no agroneg\u00f3cio v\u00e3o muito al\u00e9m do clima e da lavoura. Elas passam pela forma como o setor organiza sua opera\u00e7\u00e3o, mede seus riscos, protege seus ativos e governa sua cadeia. O agro brasileiro j\u00e1 provou que sabe produzir e agora precisa provar que sabe preservar valor com a mesma compet\u00eancia, porque produzir \u00e9 essencial, mas preservar o resultado \u00e9 o que sustenta o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>*\u00c9 CEO da AOzawa Consultoria, especialista em Preven\u00e7\u00e3o de Perdas e Governan\u00e7a, consultor com mais de 40 programas de preven\u00e7\u00e3o de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro \u201cPent\u00e1gono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SOBRE A AOZAWA CONSULTORIA (<a href=\"http:\/\/www.aozawaconsultoria.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.aozawaconsultoria.com.br<\/a>)<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundada em 2014, a AOzawa Consultoria atua na estrutura\u00e7\u00e3o de Governan\u00e7a de Margem para empresas de varejo e distribui\u00e7\u00e3o. Por meio do m\u00e9todo Pent\u00e1gono de Perdas, integra pessoas, processos, auditoria, tecnologia e indicadores, apoiando organiza\u00e7\u00f5es na transforma\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades operacionais em efici\u00eancia e rentabilidade sustent\u00e1vel.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/webmailaz.terra.com.br\/servlet\/proxy?uid=\u0001p0qYfB\/+xCZNTSV\/evgIicYnUh6dY\/4x+qNg0sgTTNncxTO4AJbC+vXijJAWR0NZfnQIra34NJu97V7v8AyWQTZ5We48cs0IUpeXhaD3s1eKonSUArnr5k\/ZEiku134MTKus65QKl6h+qOEZq+tRHtFm44Qhd0GW1Djj9\/85jJ+YX91K4qvkZdwnQvOz5DcH4xPd0iwz\/9YMHdCDnW43GW16ecKBwRyq4sPx9n7yindUgzey4Fm974N0VqsbJCsV7TyMwx3CplyHGEHxV+hhK9AJtWeIoGup5Oy5RI\/u3TGubucWGtXWa6GDV+9yjKTIC2yUrU+aPWNc3NxnPBxcxnK+Gmwy186xVUrnwuehsFQDFGz1te1Pg1MBu4f5EOJc0toBc1dxbrNq1vxX6HpvcdRcN1wZR3EhqhGW1Y6aWmjfp0J15a8qAo\/20XMlvL4xBXHdUB3NUHLRiVvLv9v9sg==\" alt=\"Anderson Ozawa, CEO da AOzawa Consultoria\"><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/imagens.pressmanager.net\/galeria?rid=1126787&amp;rhash=1cd26614a3a0f45c19e10f340b60e245&amp;did=1829174294&amp;dhash=36147fa15d2488ef57087b096ddd4ab8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Visualizar todas as imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Helder Hissao Horikawa<\/strong><br \/><a href=\"mailto:helder@agenciahori.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">helder@agenciahori.com.br<\/a><br \/>(11) 99841-1594<\/p>\n<p><!-- bloco-portais-jbr --><\/p>\n<div class=\"box-portais-jbr\" style=\"border:1px solid #e0e0e0;padding:16px 18px;margin:24px 0;border-radius:8px;background:#f9f9f9;font-size:0.95rem;\">\n<p style=\"margin:0 0 10px 0;font-weight:600;\">\n        Continue sempre bem informado acessando nossos portais:\n    <\/p>\n<ul style=\"margin:0;padding-left:20px;\">\n<li style=\"margin-bottom:8px;\">\n            <strong><a href=\"https:\/\/jornaldiadia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" style=\"text-decoration:none;\">Jornal Dia Dia<\/a><\/strong> \u2013<br \/>\n            Sua fonte confi\u00e1vel para as melhores not\u00edcias e artigos \u00fateis. 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Conectando o Brasil ao mundo com intelig\u00eancia e estrat\u00e9gia.\n        <\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p><!-- \/bloco-portais-jbr --><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anderson Ozawa* Divulga\u00e7\u00e3o \u2014 Anderson Ozawa, CEO da AOzawa Consultoria Quando se fala em perdas no agroneg\u00f3cio, o debate costuma seguir um caminho quase autom\u00e1tico: clima, pragas, produtividade, custo dos insumos, oscila\u00e7\u00e3o cambial e varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os das commodities. 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