{"id":9034,"date":"2026-09-09T18:18:29","date_gmt":"2026-09-09T21:18:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diadianews.com\/index.php\/2026\/09\/09\/a-crise-dos-antibioticos-expoe-uma-discussao-que-o-brasil-evita-as-condicoes-de-vida-dos-animais-que-sustentam-sua-industria-de-proteina\/"},"modified":"2026-09-09T18:18:29","modified_gmt":"2026-09-09T21:18:29","slug":"a-crise-dos-antibioticos-expoe-uma-discussao-que-o-brasil-evita-as-condicoes-de-vida-dos-animais-que-sustentam-sua-industria-de-proteina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/2026\/09\/09\/a-crise-dos-antibioticos-expoe-uma-discussao-que-o-brasil-evita-as-condicoes-de-vida-dos-animais-que-sustentam-sua-industria-de-proteina\/","title":{"rendered":"A crise dos antibi\u00f3ticos exp\u00f5e uma discuss\u00e3o que o Brasil evita: as condi\u00e7\u00f5es de vida dos animais que sustentam sua ind\u00fastria de prote\u00edna"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"100\" height=\"100\" src=\"https:\/\/jornaldiadia.com.br\/wp-content\/uploads\/image-9841.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-85410\"><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A suspens\u00e3o europeia das importa\u00e7\u00f5es brasileiras deveria provocar uma discuss\u00e3o que vai muito al\u00e9m do com\u00e9rcio: que tipo de vida estamos oferecendo aos animais que sustentam uma das maiores ind\u00fastrias do pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Cristina Diniz, diretora geral da Sinergia Animal no Brasil<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil est\u00e1 discutindo a suspens\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es de carne pela Uni\u00e3o Europeia como uma quest\u00e3o comercial. Fala-se em barreira, exporta\u00e7\u00f5es, preju\u00edzos, competitividade e na necessidade de recuperar o acesso a um dos mercados mais exigentes do mundo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas existe uma pergunta que quase n\u00e3o aparece nessa discuss\u00e3o: <strong>o que acontece com os animais antes que sua carne chegue a esse mercado?<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque, antes de virar commodity, exporta\u00e7\u00e3o, faturamento ou estat\u00edstica da balan\u00e7a comercial, existe um animal que nasce dentro de um sistema desenhado para produzir o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Que pode ser submetido a confinamento, alta densidade, transporte, estresse, doen\u00e7as, procedimentos dolorosos e interven\u00e7\u00f5es medicamentosas. Um animal cuja vida \u00e9, do come\u00e7o ao fim, condicionada por uma equa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de 3 de setembro, a Uni\u00e3o Europeia suspender\u00e1 as importa\u00e7\u00f5es de carne brasileira em raz\u00e3o da falta de garantias sobre a conformidade do pa\u00eds com as regras europeias relativas ao uso de antimicrobianos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma decis\u00e3o sanit\u00e1ria. Mas ela deveria provocar uma discuss\u00e3o muito maior sobre <strong>a forma como produzimos animais no Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O antibi\u00f3tico n\u00e3o \u00e9 o problema. Mas pode ser um sintoma.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante dizer o \u00f3bvio: antibi\u00f3ticos e outros antimicrobianos t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e indispens\u00e1vel na medicina veterin\u00e1ria. Animais doentes precisam ser tratados.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema surge quando medicamentos deixam de ser apenas uma ferramenta terap\u00eautica e passam a integrar a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade recomenda a redu\u00e7\u00e3o global do uso de antibi\u00f3ticos em animais destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos e destaca que medidas como higiene, vacina\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o devem ser usadas para reduzir o risco de infec\u00e7\u00f5es e, consequentemente, a necessidade de antimicrobianos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o estamos falando, portanto, de uma quest\u00e3o meramente comercial.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resist\u00eancia antimicrobiana est\u00e1 entre as maiores amea\u00e7as globais \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. Segundo a OMS, a resist\u00eancia foi associada a quase 5 milh\u00f5es de mortes no mundo em 2019. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m defende a redu\u00e7\u00e3o do uso de antimicrobianos nos sistemas agroalimentares e uma utiliza\u00e7\u00e3o prudente e baseada em evid\u00eancias na sa\u00fade animal.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Agricultura reconhece que o uso respons\u00e1vel de antimicrobianos \u00e9 importante tanto para a sa\u00fade e o bem-estar dos animais quanto para conter a resist\u00eancia dos microrganismos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, por que um sistema de produ\u00e7\u00e3o precisa recorrer a tantos mecanismos de controle <strong>depois que o animal j\u00e1 adoeceu<\/strong>, em vez de investir primeiro nas condi\u00e7\u00f5es que ajudam a mant\u00ea-lo saud\u00e1vel?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que o Porcos em Foco j\u00e1 vem mostrando<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito antes da quest\u00e3o dos antimicrobianos se transformar em uma barreira para a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu, ela j\u00e1 era acompanhada como <strong>uma quest\u00e3o de bem-estar animal e de sa\u00fade \u00fanica<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a href=\"https:\/\/www.sinergiaanimalbrasil.org\/porcos-em-foco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Porcos em Foco \u2014 Monitor da Ind\u00fastria Su\u00edna Brasileira<\/em>,<\/a> publicado anualmente pela Sinergia Animal, avalia justamente o que as principais empresas do setor est\u00e3o fazendo \u2014 e prometendo fazer \u2014 para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos animais.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na edi\u00e7\u00e3o de 2025, o uso n\u00e3o terap\u00eautico de antimicrobianos foi analisado em tr\u00eas frentes diferentes: <strong>promo\u00e7\u00e3o de crescimento, uso profil\u00e1tico e uso metafil\u00e1tico<\/strong>. A metodologia considerou que essas pr\u00e1ticas deveriam ser eliminadas para estimular que os medicamentos fossem utilizados exclusivamente no tratamento de animais doentes.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados s\u00e3o reveladores.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, apenas seis das 16 empresas avaliadas \u2014 Ecofrigo, MBRF, JBS, Pamplona, Alibem e Master \u2014 tinham pol\u00edticas consideradas adequadas para abolir essa pr\u00e1tica. As outras dez ainda n\u00e3o haviam publicado compromisso nesse sentido.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se olha para o uso profil\u00e1tico, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais restritivo: <strong>somente a Ecofrigo havia assumido publicamente o compromisso de banir essa pr\u00e1tica at\u00e9 2027<\/strong>. MBRF, JBS, Pamplona, Alibem, Master, Aurora, Frimesa, Pif Paf, Coopavel, Ceratti, Frivatti, Nutribras, Palmali e Gran Corte ainda n\u00e3o haviam publicado compromisso para elimin\u00e1-la.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o uso metafil\u00e1tico, o resultado era semelhante: <strong>somente a Ecofrigo havia assumido publicamente o compromisso de bani-lo at\u00e9 o final de 2027<\/strong>. O Minerva mencionava um compromisso, mas limitado a 80% de sua rede de fornecedores e com prazo at\u00e9 2040 \u2014 condi\u00e7\u00f5es que fizeram com que n\u00e3o pontuasse nesse crit\u00e9rio.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja: <strong>em 2025, entre as 16 empresas avaliadas pelo Porcos em Foco, uma \u00fanica havia assumido compromissos p\u00fablicos considerados adequados pela metodologia para eliminar os tr\u00eas usos n\u00e3o terap\u00eauticos de antimicrobianos.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 um retrato de como a ind\u00fastria brasileira ainda enfrenta o problema.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O problema n\u00e3o come\u00e7a no antibi\u00f3tico<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando um animal recebe um medicamento, estamos olhando para o fim de uma cadeia de acontecimentos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes disso, existe o ambiente em que ele vive. A densidade. O espa\u00e7o dispon\u00edvel. O manejo. O n\u00edvel de estresse. A possibilidade de expressar comportamentos naturais. A exposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as. A capacidade do sistema de prevenir problemas sem depender sistematicamente de medicamentos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <em>Porcos em Foco<\/em> parte justamente dessa vis\u00e3o mais ampla.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na edi\u00e7\u00e3o de 2025, o relat\u00f3rio passou a separar os tr\u00eas diferentes usos n\u00e3o terap\u00eauticos de antimicrobianos e reconheceu que eles deveriam ser analisados individualmente. A l\u00f3gica \u00e9 clara: n\u00e3o basta perguntar se uma empresa \u201cusa antibi\u00f3ticos\u201d. \u00c9 preciso saber para qu\u00ea, em quais circunst\u00e2ncias e se existem compromissos concretos para eliminar usos que n\u00e3o sejam terap\u00eauticos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A metodologia que ser\u00e1 utilizada no <em>Porcos em Foco<\/em> 2026 aprofunda ainda mais essa l\u00f3gica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de olhar apenas para compromissos, a nova metodologia passa a diferenciar a implementa\u00e7\u00e3o atual de compromisso p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem \u00e9 simples: <strong>N\u00e3o basta dizer que mudou. \u00c9 preciso demonstrar que mudou.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a metodol\u00f3gica \u00e9 particularmente importante neste momento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque a discuss\u00e3o que agora chega ao centro do com\u00e9rcio internacional \u00e9 justamente uma discuss\u00e3o sobre garantias, evid\u00eancias e capacidade de demonstrar que as regras est\u00e3o sendo cumpridas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 colocando na mesa como exig\u00eancia sanit\u00e1ria encontra, portanto, um paralelo em uma discuss\u00e3o que a sociedade civil j\u00e1 vinha fazendo com as pr\u00f3prias empresas brasileiras: qual \u00e9 a pol\u00edtica de uso de antimicrobianos? O que j\u00e1 foi efetivamente eliminado? O que ainda \u00e9 praticado? Qual \u00e9 a abrang\u00eancia do compromisso? E que evid\u00eancias existem para demonstrar que ele est\u00e1 sendo cumprido?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O animal virou uma unidade de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de tudo, essa \u00e9 uma discuss\u00e3o sobre como os animais s\u00e3o criados.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo industrial de produ\u00e7\u00e3o animal foi constru\u00eddo sobre uma promessa: produzir mais, mais r\u00e1pido e a menor custo. Mais carne, mais ovos, mais leite, mais animais por unidade de espa\u00e7o, mais efici\u00eancia por cadeia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando um animal \u00e9 transformado em uma unidade produtiva, sua capacidade de se movimentar, descansar, explorar o ambiente, expressar comportamentos naturais e viver sem dor ou sofrimento pode passar a ser avaliada a partir de uma pergunta muito diferente: <strong>quanto isso custa para a produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a\u00ed que a discuss\u00e3o sobre bem-estar animal deixa de ser perif\u00e9rica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque um animal \u00e9 um ser senciente, que sente dor, sente medo e sente estresse. Ele adapta-se, sofre e responde \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que \u00e9 mantido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, ainda assim, boa parte da ind\u00fastria continua tratando essas necessidades como uma vari\u00e1vel secund\u00e1ria diante da produtividade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto sofrimento estamos dispostos a aceitar como \u201ccusto\u201d para produzir carne em escala?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Brasil conhece essa l\u00f3gica h\u00e1 d\u00e9cadas<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o melhor exemplo esteja longe das granjas e dos frigor\u00edficos. Est\u00e1 no mar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exporta\u00e7\u00e3o de animais vivos \u00e9 uma das express\u00f5es mais expl\u00edcitas de um sistema que transforma animais em mercadoria. Em vez de transportar carne refrigerada, o Brasil embarca o pr\u00f3prio animal e o transforma em carga.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2024, mais de 1 milh\u00e3o de bovinos vivos foram exportados pelo pa\u00eds, segundo dados reportados a partir de informa\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio exterior. E os dados obtidos via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o mostram que, entre janeiro de 2020 e mar\u00e7o de 2025, mais de 2,3 mil bovinos morreram durante o transporte mar\u00edtimo. Foram 393 viagens, das quais 306 registraram mortes \u2014 cerca de 78% das travessias.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma viagem do navio <em>Nada<\/em>, em 2024, 108 animais morreram durante uma travessia de aproximadamente uma semana com quase 23 mil bovinos a bordo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E isso n\u00e3o come\u00e7ou agora.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 6 de outubro de 2015, o navio <em>Haidar<\/em> naufragou no Par\u00e1 com quase 5 mil bois vivos a bordo. Os animais morreram e o acidente tamb\u00e9m provocou o derramamento de aproximadamente 700 mil litros de res\u00edduos oleosos, tornando-se um dos maiores desastres socioambientais da regi\u00e3o. Dez anos depois, o caso ainda gerava a\u00e7\u00f5es judiciais e discuss\u00f5es sobre os impactos da atividade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais perturbador talvez seja que a atividade continuou crescendo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de olhar para esses epis\u00f3dios como sinais de que existe algo estruturalmente errado, o pa\u00eds continuou tratando a exporta\u00e7\u00e3o de animais vivos como mais uma modalidade comercial.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O animal embarca, o navio parte, a mercadoria chega e o sofrimento fica invis\u00edvel no caminho.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando o animal vira carga, a l\u00f3gica fica evidente<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exporta\u00e7\u00e3o de animais vivos \u00e9 um problema diferente do uso de antimicrobianos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os dois fen\u00f4menos revelam a mesma l\u00f3gica: <strong>quando o animal \u00e9 tratado primordialmente como mercadoria, suas necessidades passam a ser subordinadas \u00e0 efici\u00eancia econ\u00f4mica.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No transporte mar\u00edtimo, o animal vira carga. Na produ\u00e7\u00e3o intensiva, vira unidade produtiva. No mercado, vira produto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quando algo d\u00e1 errado, quase sempre a primeira pergunta \u00e9 <strong>\u201cquanto custa\u201d?<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto custa adaptar o sistema, reduzir a densidade, eliminar gaiolas, melhorar o manejo?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Raramente come\u00e7amos pela pergunta que deveria estar no centro: quanto custa para o animal continuar vivendo nessas condi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o europeia deveria nos fazer perguntar o que estamos fazendo antes de precisar do medicamento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estamos prevenindo doen\u00e7as? Estamos criando condi\u00e7\u00f5es que permitam aos animais manter sua sa\u00fade? Estamos reduzindo fatores de estresse? Estamos considerando comportamento natural? Estamos utilizando sistemas de cria\u00e7\u00e3o que respeitam as necessidades biol\u00f3gicas dos animais?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou estamos tentando fazer com que animais geneticamente selecionados para produzir cada vez mais, confinados em sistemas cada vez mais eficientes, permane\u00e7am produtivos pelo tempo necess\u00e1rio para completar seu ciclo econ\u00f4mico?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa diferen\u00e7a \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E quem paga a conta?<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma cadeia produtiva enfrenta uma barreira sanit\u00e1ria, o debate rapidamente se transforma em n\u00fameros.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2025, as exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio brasileiro alcan\u00e7aram US$ 169,2 bilh\u00f5es. A carne bovina bateu recordes, com US$ 17,9 bilh\u00f5es em receitas e aumento de 20,4% no volume exportado, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser l\u00edder mundial em produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria significar apenas produzir mais. Deveria significar ser capaz de estabelecer padr\u00f5es mais altos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil pode continuar tratando essa vida como um custo necess\u00e1rio para produzir prote\u00edna em escala ou pode reconhecer que uma ind\u00fastria verdadeiramente moderna n\u00e3o \u00e9 aquela que apenas consegue produzir mais. \u00c9 aquela que consegue produzir sem transformar o sofrimento dos animais em parte invis\u00edvel da sua efici\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagens relacionadas<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/imagens.pressmanager.net\/download?foto_id=7964896&amp;release_id=1163491&amp;did=1894131027&amp;envio_id=3346132&amp;hash=434c9980b88fb5534d98bcad22a8bbc7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/webmailaz.terra.com.br\/servlet\/proxy?uid=\u0001p0qYfB\/+xCZNTSV\/evgIicYnUh6dY\/4x+qNg0sgTTNncxTO4AJbC+gJqBui\/Mu1whc+XphcT5cD70eM3Fun72WYT0ma7\/uSbUDF0WrmbPFm2LGSOqBNgME\/ZEiku134MlkrOrYtY1685Ndyi0bdlhAc6LPoZgt56cLm0hXKrRjmQ1pUgFXt\/er4J45wg\/RB4NDOKtcME6sgMHdCDnW43GW16ecKBwRyq4sPx9n7yindUgzey4Fm974N0VqsbJCsV7TyMwx3Cplyt1HEJSYOsjkUltxHkgfdjUCkiifUXWij\/y17EpLx\/9fAEcmJsgYzLWxZinhsU0P7qZzetSkZc8nK+Gmwy186x2oRri08QavQaRQUvUO4dUReD6pZPZPNABcgd7dM8XmpzV6mJS\/uF9i3Y2xJebQC3dmijUusFvZ3fp0J15a8qAo\/20XMlvL4xBXHdUB3NUHLRiVvLv9v9sg==\" alt=\"\"><\/a><br \/><em>INA FASSBENDER \/ AFP<\/em><br \/><a href=\"https:\/\/imagens.pressmanager.net\/download?foto_id=7964896&amp;release_id=1163491&amp;did=1894131027&amp;envio_id=3346132&amp;hash=434c9980b88fb5534d98bcad22a8bbc7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">baixar em alta resolu\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/webmailaz.terra.com.br\/servlet\/proxy?uid=\u0001p0qYfB\/+xCZNTSV\/evgIicYnUh6dY\/4x+qNg0sgTTNncxTO4AJbC+gJqBui\/Mu1whc+XphcT5cD70eM3Fun72WYT0ma7\/uSbUDF0WrmbPFm2LGSOqBNgME\/ZEiku134M\/JndRN60Pl9klcMQVmtX9\/t\/XJei5QvyL7j43gAL1QRYjmKnKW6UkjH9+V4bil\/x\/xeGFtZaOn0qYdx8V+k1K+LD8fZ+8op3VIM3suBZve+DdFarGyQrFe08jMMdwqZcrdRxCUmDrI5FJbcR5IH3Y1ApIon1F1oo\/8texKS8f\/XwBHJibIGMy1sWYp4bFND+6mc3rUpGXPLFqkrcHXOqvBipM\/Phh4vqsx+WOVS2G8cmK2NBcPP1qA\/yfk1PUF2gFW91gKcsRIwKkLKUWRL5keX+9Eqkoy\/Ij\/bRcyW8vjEFcd1QHc1QctGJW8u\/2\/2y\" alt=\"DeProp\u00f3sito Comunica\u00e7\u00e3o de Causas\"><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00e9ssica Amaral \u2013 DeProp\u00f3sito Comunica\u00e7\u00e3o de Causas<\/strong><br \/><a href=\"mailto:jessicaamaral@depropositocomunica.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jessicaamaral@depropositocomunica.com<\/a><br \/>(41) 98824-3994<\/p>\n<p><!-- bloco-portais-jbr --><\/p>\n<div class=\"box-portais-jbr\" style=\"border:1px solid #e0e0e0;padding:16px 18px;margin:24px 0;border-radius:8px;background:#f9f9f9;font-size:0.95rem;\">\n<p style=\"margin:0 0 10px 0;font-weight:600;\">\n        Continue sempre bem informado acessando nossos portais:\n    <\/p>\n<ul style=\"margin:0;padding-left:20px;\">\n<li style=\"margin-bottom:8px;\">\n            <strong><a href=\"https:\/\/jornaldiadia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" style=\"text-decoration:none;\">Jornal Dia Dia<\/a><\/strong> \u2013<br \/>\n            Sua fonte confi\u00e1vel para as melhores not\u00edcias e artigos \u00fateis. 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Jornalismo com credibilidade.\n        <\/li>\n<li style=\"margin-bottom:8px;\">\n            <strong><a href=\"https:\/\/casaejardim.net.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" style=\"text-decoration:none;\">Casa e Jardim<\/a><\/strong> \u2013<br \/>\n            Dicas exclusivas sobre decora\u00e7\u00e3o, jardinagem, arquitetura, DIY, reformas e muito mais. Tend\u00eancias, solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e ideias criativas para todos os estilos e or\u00e7amentos.\n        <\/li>\n<li style=\"margin-bottom:0;\">\n            <strong><a href=\"https:\/\/b10.net.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" style=\"text-decoration:none;\">B10 Brasil<\/a><\/strong> \u2013<br \/>\n            As principais not\u00edcias, an\u00e1lises e insights sobre neg\u00f3cios, economia e soberania nacional. Conectando o Brasil ao mundo com intelig\u00eancia e estrat\u00e9gia.\n        <\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p><!-- \/bloco-portais-jbr --><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A suspens\u00e3o europeia das importa\u00e7\u00f5es brasileiras deveria provocar uma discuss\u00e3o que vai muito al\u00e9m do com\u00e9rcio: que tipo de vida estamos oferecendo aos animais que sustentam uma das maiores ind\u00fastrias do pa\u00eds? Por Cristina Diniz, diretora geral da Sinergia Animal no Brasil O Brasil est\u00e1 discutindo a suspens\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es<span class=\"more-link\"><a href=\"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/2026\/09\/09\/a-crise-dos-antibioticos-expoe-uma-discussao-que-o-brasil-evita-as-condicoes-de-vida-dos-animais-que-sustentam-sua-industria-de-proteina\/\">Continue Reading<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9035,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["entry","author-valdei","post-9034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-news-do-dia"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9034\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9035"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/diadianews.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}